O lado certo da avenida pode valer mais que o ponto comercial
Quando um futuro empreendedor procura um ponto comercial, é muito comum ouvir:
“Esse ponto é excelente. Passam milhares de carros por aqui todos os dias.”
Pode ser verdade. Mas isso, sozinho, não significa que seja um bom ponto para o seu negócio.
Antes de contar quantos carros ou pessoas passam na frente do imóvel, existem duas perguntas que considero fundamentais:
Em que sentido essas pessoas estão indo?
E, principalmente, para onde elas estão indo?
Parece uma diferença pequena, mas pode mudar completamente o potencial comercial de um ponto.
Imagine uma grande avenida com fluxo intenso nos dois sentidos. Às 7h30 da manhã, o maior movimento acontece no sentido de quem está indo trabalhar, levar os filhos à escola, chegar à faculdade ou cumprir os compromissos do início do dia.
Às 18h, acontece o contrário. O fluxo mais intenso passa para o outro lado da avenida. Agora são pessoas voltando para casa.
É a mesma avenida.
É praticamente a mesma quantidade de pessoas.
Mas não é o mesmo consumidor.
O destino muda a necessidade de compra
Vamos imaginar que você esteja pensando em abrir uma padaria nessa avenida.
Se o seu estabelecimento estiver localizado no sentido de ida para o trabalho, escolas e faculdades, pela manhã existe uma oportunidade muito clara.
O consumidor está com pressa.
Ele pode querer tomar um café antes do trabalho, comprar um pão de queijo, um salgado, um sanduíche ou simplesmente pegar alguma coisa para levar.
Nesse caso, rapidez no atendimento, facilidade para estacionar, produtos prontos e embalagens práticas podem ser mais importantes do que uma enorme variedade de produtos.
Agora vamos olhar para o outro lado da mesma avenida.
No final da tarde, quem passa está voltando para casa.
A necessidade mudou.
Essa pessoa pode querer comprar pão para a família, frios, bolos, salgados, sobremesas ou alguma coisa para o jantar.
As quantidades também podem mudar.
Sai o consumo individual e aparecem embalagens maiores e produtos destinados à família.
Perceba: o fluxo continua existindo, mas a ocasião de consumo é completamente diferente.
“Mas é só atravessar a avenida...”
No papel, sim.
Na prática, nem sempre.
Em uma avenida movimentada, fazer um retorno, atravessar várias faixas ou enfrentar um cruzamento apenas para comprar pão pode ser suficiente para o consumidor desistir.
Principalmente quando existe outra opção alguns minutos adiante, no mesmo sentido em que ele já está trafegando.
É por isso que simplesmente dizer que determinado ponto tem “grande fluxo de veículos” pode esconder uma informação muito mais importante:
Qual parte desse fluxo realmente tem potencial para parar e comprar de você?
Padaria raiz ou delicatessen?
É aqui que a escolha do ponto começa a conversar com o próprio modelo do negócio.
Talvez o melhor ponto para uma padaria tradicional, focada na compra para levar para casa, não seja o mesmo para uma delicatessen voltada para café da manhã, lanches rápidos e consumo no local.
Antes de decidir entre o lado direito ou esquerdo da avenida, talvez seja necessário decidir primeiro qual consumidor você quer atender, em qual momento e com qual ticket médio.
O ponto comercial não deveria definir sozinho o negócio.
O negócio e o comportamento do consumidor também deveriam ajudar a definir o ponto.
E ainda falta uma coisa: estacionamento
Você pode estar no lado correto da avenida, ter milhares de consumidores potenciais passando diante da sua porta e oferecer exatamente o produto que eles querem naquele momento.
Mas, se eles não conseguirem parar, parte dessa vantagem desaparece.
Em vias de grande movimento, o consumidor muitas vezes decide em segundos.
Ele vê.
Tem interesse.
Reduz a velocidade.
Procura onde estacionar.
Não encontrou?
Continua.
E talvez compre no próximo estabelecimento.
Por isso, para determinados negócios, estacionamento fácil, visível e abundante não é apenas comodidade. É parte da estratégia comercial.
Antes de escolher o ponto, observe o caminho
Na próxima vez que alguém disser que determinado imóvel comercial é fantástico porque passam milhares de carros na frente, não olhe apenas para a quantidade.
Observe o movimento.
De manhã, fique algum tempo no local.
Volte na hora do almoço.
Depois, observe novamente no final da tarde.
Pergunte-se:
Quem são essas pessoas? De onde estão vindo? Para onde estão indo? O que poderiam precisar naquele momento? Quanto tempo estão dispostas a gastar? Conseguem entrar facilmente? E, principalmente, conseguem parar?
Às vezes, alguns metros ou simplesmente estar do outro lado da avenida podem representar dois negócios completamente diferentes.
E se...?
E se, antes de escolher o seu próximo ponto comercial, em vez de apenas contar quantas pessoas passam na frente dele, você descobrisse para onde elas estão indo?
Talvez você descubra que o melhor ponto não é aquele com o maior movimento.
É aquele que está no caminho certo, do consumidor certo, na hora certa.
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